Comportamento

Sobre corpos sarados e a cultura do machismo

  • Gi

    Lendo o post me vieram à lembrança outros tantos episódios assim… Triste, né? Quando a notícia no jornal não é sobre quem está fora de forma, é sobre umas bobagens como: “fulana perdeu x quilos”, “beltrana ensina sua dieta pra ir de 55 para 50 quilos (ou seja, de magra para macérrima)”, e por aí vai.
    Fora o photoshop que engana muita gente. E uso indiscriminado de anabolizantes, que explica tanta mulher sem celulite, que é algo que faz parte da natureza.
    Se nós, mulheres, refletirmos e começarmos a não nos cobrar tanto (e nem cobrar das outras, sendo famosas ou não), acho que estaremos no caminho certo.
    Bjs

  • cara, Carla, sério, não tem nem palavras suficientes pra elogiar e endossar essa sua reflexão.
    eu cultivo os meus quilinhos extras com amor e com afeto, e com bastante batata frita. mais do que um corpo magro, eu quero uma vida saudável e feliz!

  • Alexandre

    Boa noite,

    De antemão, já te digo, não há qualquer relação de poder machista sobre a questão da preocupação exacerbada do corpo feminino. Há uma autoimposição a partir das próprias mulheres ou de um outro grupo, não necessariamente “macho”. Para ser machista, esta teria de ser uma imposição (seja legal, seja moral ou estética) a partir de um “macho” – um homem, uma tradição patriarcal. Mas voltemos aos seus citados anos 70: nesta década no Brasil, com a ascensão dos homossexuais no mundo da moda e da alta-costura, começa a haver uma imposição de que as mulheres fossem exageradamente magras (famoso caso Twiggy). Um pouco antes começava a transformação de exigências das manequins na Europa e nos Estados Unidos. Dentro da Teoria de Moda e Costumes, tal fato é explicado pela razão da preferência (óbvia) dos homossexuais por “efebos”, garotos jovens. (Ou nunca percebeste que uma twiggy de cabelo curto e magricela é igual a uma garoto magrelo de 15 anos de idade?). Há uma transferência de desejo dos agora dominantes homossexuais no mundo da moda para as manequins. A alta-costura até hoje se volta preferencialmente para as mulheres. Portanto, a transformação do corpo com uma exigência paulatina por corpos “sequinhos” se iniciou justamente com os homossexuais – o que é bem forçoso teoricamente encaixá-los no grupo de poder “patriarcal”, certo?
    Obviamente, nas décadas seguintes, a preocupação com o corpo aumentou, justamente porque o corpo passava a ter maior exibição pública. Mas perceba bem entre seus amigos e suas amigas quem mais cobra um corpo assim.
    O fato de não haver uma cobrança tão sisuda de um corpo masculino tal qual a estátua de David não infere logicamente que há uma relação de poder machista envolvida.
    Att.
    Alexandre

    • Oi Alexandre,

      Você fala dos gays na alta-costura, eu falo dos anos 80 e das mulheres TENDO QUE adotar uma silhueta mais masculina (com aqueles ombros largos e terninhos bizarros) para conquistar respeito no mercado de trabalho (conceito que se estende até hoje).

      Eu falo do machismo em casos como o de “marido e mulher”. É primitivo, parece coisa do tempo das cavernas onde os homens saiam arrastando as mulheres pelos cabelos denominando como suas propriedades.

      Falo do machismo está nessa competição louca pelo corpo perfeito como se fosse um quem tem o “pau” maior.

      Falo do machismo quando quando aparecem aqueles boçais babando pelas panicats semi-nuas no domingo à noite (aliás o Pânico é um ótimo exemplo desse machismo enraizado: todas as mulheres são “gostosas” enquanto os homens são todos mal-cuidados). Falo do machismo quando os homens agem como caçadores procurando a “mais gostosa” da balada (e desprezando quem não segue os padrões de beleza estabelecidos por eles).

      Falo do machismo que existe quando um homem se interessa por moda e é automaticamente tachado de gay. Falo do machismo quando um homem resolve ter cuidado com a sua aparência é chamado de gay.

      Falo do machismo que é os homens poderem ficar sem camisa na rua e as mulheres não terem nem o direito de fazer topless na praia. Qual a diferença? Na prática, são 2 mamilos expostos da mesma forma.

      Falo do machismo como parte da nossa cultura global, que permeia todas as nossas atitudes. Ele existe, taí. Sinceramente, não espero que os homens entendam e/ou concordem com esse post. São as mulheres que quero atingir e elas entenderam o recado ;)

      Beijos,

  • Amiris

    Lindo post!
    Tocou no ponto certo da coisa – o patriarcalismo da nossa sociedade, que oprime e faz as mulheres se sentirem mal com o próprio corpo.
    Estou gostando muito do blog por essas opiniões não-viesadas que você escreve aqui.

    Parabéns, por ser um blog diferente dos demais, e parabéns de novo, por ajudar a conscientizar várias meninas desse mundão! =)

  • Laiz

    Simplesmente ARRASOU com esse post.
    Era o que eu precisava ler hoje!
    Obrigado

  • Sempre ouvi essa coisa de que mulher tem que se cuidar e que homem não, ele poder ter aquela barriguinha de chopp, é até sexy, charme….quando a mulher que acabou engordando durante o casamento é traída, qual a primeira coisa que dizem? Que levou chifre pq não se cuidou e então o marido foi procurar uma mais gostosa…
    Só que ao mesmo tempo temos a cobrança dos meios de comunicação sobre as celebridades, como se o fato de elas sempre trabalharem aparecendo na tv, as fizesse serem obrigadas a estar em forma o tempo todo, isso independente do sexo, já vi listas de atores que eram sarados e engordaram, ou então aquele galã que aparece na praia diferente do que sempre vimos na tv, aquelas noticías “-fulano vai à praia e exibe barriguinha”.
    Lembro do tempo que a Christina Aguilera engordou, parecia que ela tinha cometido um crime, foi gongada de todas as formas possíveis.

    • Exatamente Jessica. Homem quando casa e embaranga tudo bem. Homem quando trai a sociedade releva. Mulher quando trai é uma puta, safada (vide a repercussão do caso Kirsten Stewart). E o primeiro passo pra essa mudança acontecer são as mulheres tomarem consciência disso e não permitirem mais. Nós somos mais numerosas e mais fortes. A gente pode mudar o mundo se começarmos por nós mesmas ;) Beijo!

  • JÉSSICA BERNARDES

    Sem palavras!!! Foi o melhor post que já li até hoje!!!!!

    PARABÉNS!!!!!

  • depois que tive meu filho a barriga voltou, mas um pouco mais flácida e com isso não me sentia bem. só que se é um homem não tem problema, se eu gerei uma vida e fiquei com marcas sou taxada? outro dia vi uma foto da katie homes e estavam falando que ela não recuperou o corpo da gravidez pq ainda estava flácida e com estrias mesmo com a filha já grande… achei uó. a pessoa deve se submeter a academia todos os dias ou até mesmo uma cirurgia pra ser aceito na sociedade? queria eu ter nascido na década de 70 e ter a liberdade de ser gostosa como eu sou rs

    beijos, ameiii o post !
    blogmaricordeiro.blogspot.com.br

  • Camila

    Carla, vc está certíssima! Adorei ler esse post! Simples e direto, sem blá blá blá. E é isso: o machismo ñ deixa nem a gente ir pra praia sem preocupação… Quer dizer, a gente ñ pode deixar isso acontecer! Se tudo bem homem ter barriguinha de chope, por que a gente *tem que ter* um corpo perfeito? Nada a ver! Concordo em gênero, número e grau com vc! Obrigada por dividir sua opinião!

  • Marcela Simões

    Olá querida! Realmente muito bom seu post, mas o que gostei MESMO foi sua resposta ao comentário do ”Alexandre”. Não te conheço, nem conheço esse Alexandre, mas ali você falou tudo, você realmente sabe o que fala, foi perfeito seu comentário! Parabéns, o blog é ótimo! Assisto Pânico na Band, e não vou negar, é exatamente como você falou, aquele programa influencia MUITO a cabeça dos homens.. Enfim!! Tudo de bom, bjs.

  • Amanda Palma

    Carla. Durante algum tempo da minha vida por motivos profissionais eu tive que ler blogs de moda diariamente (isto já faz mais ou menos uns 5 anos). Este episódio deixou em mim uma imagem muito, muito, muito ruim a respeito deste tipo de conteúdo, sempre achei muito triste que meninas jovens fiquem julgando a aparência alheia e ditando regras de pode/não pode no corpo de outras mulheres.

    Hoje fiquei surpresa quando na minha timeline este texto tenha sido citado por mais de uma mulher feminista [pensei, nossa, as feministas compartilhando blog de moda, o que será?].

    Fico feliz por ver que as meninas da moda estejam despertando sua consciência de questionar os padrões impostos pela mídia, temos que pensar bem, a quem interessa tanto manter as mulheres sempre “na linha”. Acho super válido a vaidade, mas é importante ter consciência de que xingar outra mulher por não estar “adequadamente vestida” para seu peso, por exemplo, é fortalecer o patriarcado e a opressão contra mulheres. E ainda, a indústria de cosméticos adora que as mulheres tenham baixa auto-estima {{[chamando por exemplo, a barriga da Demi de flácida, eles estão chamando praticamente 100% das mulheres de flacidas, pois a barriga dela está ótima!!]}}, pois só assim eles tem ganhos milionários vendendo produtos muitas vezes desnecessários ou até inúteis.

    Parabéns pelo post! Espero ver reflexões como esta cada vez mais neste e em todos os blogs de moda!

  • Eliane

    Olá meninas e mulheres de todo Brasil!
    Desculpe mas não acho que isso seja apenas machista, isso é puramente feminista!!!
    Me perdoe tem homem que nem sabe o q é estria e celulite!! Quem fala mal do corpo da mulher é a própria mulher e o mundo capitalista que vivemos, vc tem q gastar os tubos pra ficar do “jeito que os outros acham que tem q ser”. Trabalho num lugar onde se coloco um bombom na boca já inicia um dialogo entre mulheres que “se dizem felizes por viver de alface”, tudo pra dizer q o q faço é errado e errado nsa minha opinião é achar q todo mundo tem obrigação de ser perfeito! Pronto, falei!! kkkkk

  • Amanda Palma

    Eliane, as mulheres podem reproduzir o machismo, pois o mesmo é imposto pela sociedade, mas verdadeiramente nenhuma mulher se beneficia dele. Os únicos beneficiados pelo machismo são os homens. E eles criam mulheres que reproduzem este machismo, e por sua vez cobram as outras.

    Isto que a Carla citou é machismo sim, e infelizmente é reproduzido por muitas mulheres, estas mulheres estão amarradas em correntes invisíveis, e precisam de ajuda pra se libertar, só isso.

    Quem se beneficia de tudo isso sempre são os homens, eles é que estão no poder das grandes mídias e das grandes indústrias que lucram com a baixa auto-estima de mulher. Ganham dinheiro com o IBOPE das notícias que analizam a vida pessoal das mulheres, etc…

    O feminismo, que vc citou, ao contrário, trabalha o empoderamento da mulher, para que esta possa desconstruir o machismo, se livrar dos espartilhos modernos e lutar pelos direitos IGUAIS. Inclusive o direito de não ser julgada por seu corpo.

  • Andreza

    Perfeito !!! Parabens!
    Disse tudoooooo!

  • Mari

    Acho que nunca comentei aqui, mas…OBRIGADA por ter me dado esse tapa na cara. Ontem mesmo tava dizendo a uma amiga que não ia pra piscina pq tava “gorda”.

  • Obrigada, Carla! Eu precisava MESMO desse tapa na cara. Ontem tava conversando com uma amiga que não ia na piscina pq estava “gorda”.

  • Adriane Marques

    Excelente texto!!! Sou defensora da prática da atividade física como você mesma sabe, mas essa prática com a finalidade da melhora num todo da qualidade de vida, em especial da saúde e bem estar do indivíduo, o que consequentemente vai trazer grandes benefícios estéticos, porém, naturalmente. Uma prática transformadora da saúde desse indivíduo, que o faça ser e se sentir mais bonito…sem se preocupar com padrões, sem querer estabelecer parâmetros de moda. Por isso sou tão fã da década de 70 e 80 (tenho também outros motivos pelos quais sou apaixonada por essas duas décadas, rs, mas esse em especial). Naquele tempo, a prática esportiva, era pura e simplesmente por prazer e saúde…ai, e como todos que praticavam eram tão lindos naquele tempo (suspirei, rs).
    Embora professora de Ed Física, sempre fui um tanto quanto “roliça”, e quer saber…me sinto até hoje muito bem e feliz assim, e faço o maior sucesso, rs… Parabéns pelo post Carlinha!!! beijos e feliz 2014!!!

  • Jussara Romão

    Olá Carla,

    Adorei seu texto.

    E fiquei muito feliz que você tenha gostado do ARQUIVO URBANO.

    bj.

  • Ana

    Excelente. Lembrando ao Alexandre que o machismo vem das mulheres.

  • Pingback: O que eles pensam sobre Biquínis – parte 3 | Just Lia()

  • Ilana Berenholc

    Arrasou! :)

  • nina

    Ainda existe muita gente que acha que machismo é quando homem manda em mulher.. Sério, as pessoas precisam entender que quando as mulheres comentam umas das outras coisas que não comentam sobre homens É MACHISMO. Mulher também é machista, e machismo também oprime (demais!!!!) homens. Mulher achando que homem que é homem tem que proteger ela em uma briga – só um exemplo – é machismo. Mulher exigindo que o homem esteja sempre pronto pro sexo também é machismo.

    Os caras chegam aqui e ficam dizendo que não tem nada a ver com machismo porque são as próprias mulheres que reforçam os padrões. São as mulheres, os homens, as instituições, a mídia, os blogs, nossos Facebooks, os comentários que as pessoas fazem no elevador. Machismo vem de todos os lugares, e afeta negativamente todos os lugares.

    E, ainda existe gente que diz que não concorda com feminismo mas sim com direitos iguais.. Sério, gente? Pararam de ensinar isso na escola quando? Feminismo NÃO É a busca por supremacia feminina, é a busca por IGUALDADE entre sexos, não tem nada a ver com colocar mulheres à frente de homens.

    As pessoas precisam pelo menos dar um Google nas palavras que usam antes de decidir se é ou não é participante de alguma corrente.

  • Kel

    Não tenho o que acrescentar depois de ler Amanda Palma. Mas, quero indicar um livro. O mito da beleza, de Naomi Wolf é fabuloso. Me desconstruiu um bocado e fez de mim alguém que se orgulha de ser feminista e questionadora. Parabéns, Carla, por trazer esse debate. Espero, honestamente, que ele não morra por aqui. Ganhou uma leitora.

  • Nunca tinha visitado o blog apesar de já ter visto links que redirecionavam pra ele em infinitos sites. Dessa vez o link veio do Just Lia e o assunto me atraiu.
    Depois de ler esse post eu quero fazer diversas coisas, dentre elas: te dar um high five, um abraço e espalhar o post pelas interwebs.
    Faço minhas as palavras da Kel: “Parabéns, Carla, por trazer esse debate. Espero, honestamente, que ele não morra por aqui. Ganhou uma leitora.” :)

    • hahahahahahhaha <3 <3 <3 Obrigada Nanni! E espalhe mesmo, porque a gente precisa abrir os olhos de milhares de meninas que tão aí sofrendo por algo que não faz sentido. Um beijão, minha nova leitora querida!

  • Fernando

    Essa cultura do corpo sarado é ridícula. Obriga todo mundo a fazer uma atividade só para se sentir aceito na sociedade. Caramba, é tão importante ter um corpo definido? O que isso implica na vida de uma pessoa comum? É tão importante ter músculos definidos no braço ou na barriga se você trabalha num escritório? Você por acaso é fisiculturista? Falo isso porque grande parte de quem faz academia faz apenas pela estética. Que ridículo. E isso afeta muito os homens também. Veja o fenômeno dad bod que foi acusado (pasmem) de ser machista. Recriminaram os homens porque não tinham músculos definidos. Aí você vê o o corpo do homem comum também está sendo reprimido e recriminado, assim como o da mulher comum. Mas talvez as mulheres sejam mais sensíveis no que diz repeito a críticas ao corpo. Mesmo assim, é uma nova repressão para ambos os sexos, não existente antes.
    E as fotos mostram corpos humanos normais e saudáveis, desgraça! Eu perdi a transição do padrão ser humano normal para o padrão marombado. Tenho reparado ultimamente essa paranóia. As pessoas parecem gado, seguem a multidão e não pensam. A indústria da “beleza” vende.

Ei! Agradecemos por compartilhar nosso conteúdo

Agora vem conhecer nossos outros canais