A marca colaborativa, fundada por André Carvalhal no Rio, quer ir bem além da roupa. No e-commerce da Ahlma, peças incríveis; na loja física, yoga e karaokê coletivo
A moda sempre esteve permeada por um senso de urgência: vontade de usar primeiro, de saciar desejos, de escolher a cor do momento.
Aqui, agora, rápido.
Com as mudanças do mundo – e as inúmeras crises que nos fazem repensar tudo, desde os relacionamentos ao consumo, passando, claro, pela forma como nos vestimos – é natural que a moda também se reformulasse.
E se esse “novo” proposto pela moda fosse um novo “nós mesmos”? É a intenção da AHLMA.
A pergunta aí de cima parece complexa – e é. Mas se tornou um dos motores da marca colaborativa capitaneada pelo amigo-muso André Carvalhal (que, entre tantas coisas, é autor dos livros A Moda imita a vida e Moda com propósito).
Lançada há poucas semanas, a loja fica no Rio, mas com um espírito universal que concretiza ideias sobre a nova era. Tantas, e tão preciosas.
Antes de abrir as portas do espaço, um grupo se reuniu pra jantar em noite de lua cheia. Com luz de velas e rituais, o clima era de celebração pela marca que não vende apenas roupas ou lifestyle: conecta pessoas, fala de valores, acolhe diferentes estilos.
As peças têm pegada contemporânea, sempre com versões mais minimalistas e mais extravagantes. Evita, assim, impor uma forma de vestir.
A loja, depois de aberta, também saiu do comum: na Academia da Ahlma, no Leblon, misturam-se roupas próprias, de marcas parceiras, curadoria de brechós (os primeiros convidados são o Brechó da Poppi, de BH, e o Brechó Replay, de SP), lavanderia sustentável, plantinhas, aulas de yoga, e até espaço pra festas e karaokê coletivo.
Nada de deixar o discurso só nas araras, viu?
conversa sobre a nova era do consumo criou um modelo de negócios
Como foi o início de tudo? Uma conversa do André com Rony Meisler, dono do grupo Reserva (a Ahlma foi criada sob o guarda-chuva Reserva, aliás). Os dois discutiram sobre uma marca que representasse os conceitos da Malha (o coworking onde fica nosso QG e, futuramente, o espaço #modicesinspira) na forma de pensar e executar.
Queriam moda justa, sustentável, responsável e com menor impacto possível no meio ambiente. André assumiu a direção criativa e começou a colocar o plano na prática.
Com a ajuda da Avo, consultoria de branding da Carol Fernandes (nossa favorita), eles montaram workshops e chamaram várias pessoas pra trocar ideia. Modices esteve lá (representado pela nossa Carla Lemos)! Desde o início, muita gente envolvida.
contra o desperdício da moda, a Ahlma produz de forma invertida
No fim, a neo marca decidiu fugir do modelo comprar/usar/descartar. As roupas são feitas pra durar e dentro de um processo de produção invertido.
Ao contrário das marcas convencionais, em que se desenha a peça pra depois comprar a matéria-prima, na Ahlma os materiais disponíveis para reaproveitamento é que são ponto de partida.
A criação tem muitas mãos, já que a equipe multidisciplinar inclui colaboradores externos e uma plataforma de crowdsourcing, o Colabore. Lá, qualquer pessoa pode participar dos briefings, com recompensas financeiras. Olha que oportunidade legal?
conta mais, André
“Focamos em coleções atemporais e incentivamos o cuidado, a troca e o compartilhamento de peças para que durem muito. Criamos para pessoas reais, cheias de desejos e, como nós, apaixonadas por moda. O que a gente não acredita é em uma cultura tão pouco flexível, que gera dependência ao invés de confiança e propõe padrões estéticos impossíveis de se sustentar”, diz Carvalhal
Se a gente assina embaixo desse manifesto por mudanças no propósito da moda? Sim, sim e sim. E já estamos cantando em coro (nos aguarde, karaokê!) pra que essa marca que enxerga além-mar tenha vida longa <3
~ pra conhecer mais a Ahlma, pra visitar ~
Loja online: https://ahlma.cc/
Loja física, ou Academia da Ahlma: Rua Carlos Góis, 208, Leblon, Rio de Janeiro